Usuários do CAPS de Timbó participam de evento para lembrar a Semana da Luta Antimanicomial

16/05/2016 10h41

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Usuários do CAPS de Timbó participam de evento para lembrar a Semana da Luta Antimanicomial

Na próxima quarta-feira, dia 18 de maio, comemora-se o Dia da Luta Antimanicomial em todo o Brasil. Para lembrar a data a Prefeitura de Timbó, através do Centro de Atenção Psicossocial – CAPS, promoverá durante toda semana diversas atividades internas com os usuários do CAPS.

 

Já no dia que marca a Luta Antimanicomial, dia 18, cerca de 20 usuários e profissionais da equipe do Caps de Timbó irão participar de um seminário alusivo à data, no Parque Ribeirão das Pedras, em Indaial. Atualmente em Timbó 105 pessoas usam regularmente os serviços do CAPS.

 

A coordenadora de Saúde Mental no município de Timbó, Margot Friedmann Zetzsche, lembra que no passado o tratamento de algumas doenças era feito em sistema de encarceramento, fora do perímetro urbano das cidades. Dessa forma, pessoas com doenças como a tuberculose, a hanseníase ou distúrbios psíquicos traziam a marca do preconceito e eram afastadas de suas vidas, seus direitos e suas famílias, para longos tratamentos e internações. “Muitos, nunca mais voltaram”, disse.

 

Para as pessoas de hoje, essas histórias podem soar como filmes de terror, continua Margot, mas fazem parte da história. “Para as pessoas com transtorno psíquico, tristemente este capítulo foi muito mais longo. E boa parte das pessoas ainda pensa que internar alguém num hospício vai resolver o problema da pessoa e de sua família”.

 

Ainda segundo Margot, as circunstâncias que cercam cada história de transtorno psíquico são muito esclarecedoras: privação emocional e material, perdas financeiras e afetivas, abuso e maus tratos na infância, uso e abuso de álcool e substancias psicoativas, uso e abuso de medicamentos (mesmo prescritos) sem o devido acompanhamento psicoterapêutico. “Ou seja, uma longa cadeia de eventos até o desfecho da doença mental, propriamente dita”.

 

Da percepção ao tratamento

 

Estar preparado para receber estas pessoas na sociedade é muito importante. Todos os profissionais que trabalham com saúde passaram por algum grau de preparo para acolher o sofrimento mental. Escutar o sofrimento é papel da enfermeira, do dentista, do técnico, do médico e do agente de saúde.

 

Professores das crianças da rede pública ou privada também devem ficam atentos – por trás de uma criança rotulada como “hiperativa ou desafiadora”, pode existir uma família inteira em sofrimento, ou precisando de ajuda. Policiais, bombeiros e profissionais das emergências muitas vezes também encaminham estas pessoas para tratamento: é na emergência, seja de que ordem for, que o sofrimento pode se mostrar.

 

O CAPS de Timbó, assim como outros 2.209 CAPS espalhados no país, atende as formas mais graves de sofrimento, como forma de cuidado em liberdade e junto com os familiares. E com certeza não faz o trabalho sozinho. Assim como nos CAPS, as Unidades de Saúde estão equipadas com grupos terapêuticos, cursos, atividades físicas, como formas de socialização e integração das pessoas para promover a saúde mental.

 

Psicólogos estão disponíveis em todas as unidades para apoiar as equipes no trato às pessoas com sofrimento. Muitos sofrimentos são acolhidos no cotidiano das unidades de saúde, escolas, e nas redes de Assistência Social do Município. Desta forma, se evita a potencialização da doença e o agravamento de outras – especialmente os sofrimentos psíquicos.

 

Margot frisa que a ideia é que a cidade, através de seu Caps, cuide do sofrimento das pessoas. Que a cidade posa se tornar um lugar bom para se viver, onde os caminhos sejam para todos, proliferando a inclusão social, e entender que algumas pessoas são diferentes e merecem cuidado e respeito, apesar de sua deficiência. “Uma cidade que cuida e acolhe seus cidadãos mais frágeis, mas com lindas histórias de superação e inclusão”, completa Margot.

 

Assessor: Sócrates Prado

Arte: Divulção/PMT

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